Síndrome do impostor (e o franchising)

Os tempos modernos podem ser benéficos para inúmeras coisas, desde uma tecnologia para facilitar a nossa vida particular ou uma inovação dentro do mercado de trabalho que nos faz alcançar patamares cada vez mais altos em nossa carreira.

Por Lucien Newton 5 min de leitura

Mas a contemporaneidade nos traz outras doses também, como as incertezas e inseguranças sobre nós mesmos e onde queremos estar – ou chegar. E neste quesito, atualmente está muito em voga a “Síndrome do Impostor”, que é caracterizada por pessoas que têm tendência à autossabotagem. Isso mesmo, o indivíduo constrói, dentro da própria cabeça, uma percepção de si mesmo de incompetência ou insuficiência.

A síndrome do Impostor envolve uma gama de sentimentos vindos da baixa autoestima e insegurança. A pessoa acha que ela não é boa o suficiente e, por mais que ela alcance vários resultados positivos, não consegue se perceber dentro disso.

É uma síndrome ligada a capacidade, habilidade e o não-merecimento.

Dentro do ambiente de trabalho, isso ocorre muito. O individuo pode ter todas as competências técnicas para assumir um cargo mas, por acreditar que não merece ou não vai dar conta, ele começa, de forma inconsciente, a criar ações para sabotar uma possível promoção, por exemplo. Ele vai agir de acordo com o que ele acredita. E, obviamente, este profissional não crescerá na carreira, se esse comportamento de autossabotagem não for controlado.

No franchising, isso não é diferente. A pessoa quer empreender e a sua insegurança vai muito além do que, somente, aquele “frio na barriga” de tentar algo novo. Ou, até mesmo aquele empreendedor que já conquistou o seu lugar no mercado. Ele não acredita que o mérito seja seu e de seus esforços e acaba se inferiorizando diante dos demais e sua concorrência.

Por fora, a pessoa é admirada e elogiada por suas habilidades e competências. Mas, por dentro, ela não se percebe assim. É como se experimentasse uma ilusão de inferioridade que a impede de reconhecer seu próprio sucesso. Em vez disso, ela o atribui a fatores externos: acaso, sorte, ajuda de outras pessoas ou, até mesmo, intervenção divina. Nunca ao próprio merecimento.

Essa desordem na autopercepção faz com que a pessoa conviva com a sensação de ser uma fraude. Por causa disso, ela nega as próprias habilidades, desmerece o trabalho que realiza, vive com um medo ilusório de que, a qualquer momento, irá demonstrar que não é tão boa ou capaz quanto aparenta ser. Algo horrível de fazer com a gente mesmo, por assim dizer.

Esse tipo de sensação é comum de ser experimentada por quem ocupa uma posição naturalmente sujeita a julgamentos e dedos apontados - seja à frente de um negócio, seja recebendo uma promoção no trabalho ou, ainda, iniciando um novo projeto. Ainda assim, mais de 70% da população mundial irá passar por isso ao menos uma vez na vida. É o que disse uma pesquisa conduzida por especialistas da Universidade de Salzburgo, na Áustria.

Eu gosto muito de usar uma frase dentro do segmento que é a seguinte: “Você será tão questionado que pode correr o risco de parar de acreditar nas tuas convicções”. Esta frase é direcionada aos franqueadores no início de suas jornadas no franchising, pois acreditam que não sabem o bastante, que não estão apoiando de forma satisfatória seus primeiros franqueados. Eles começam a duvidar de si mesmo e questionam todas as experiências acumuladas uma vez que os conflitos dentro do franchising são constantes. O caminho não é perfeito e você precisa estar sempre atento para construir o sucesso. Porém, se você mesmo já coloca as pedras no seu caminho, aí sim fica mais difícil o trajeto. Não duvide de você. Se você chegou até lá, você mereceu. É fruto de trabalho e persistência – dois pontos fundamentais dentro do mercado.

Se não dá para fugir do que brota dentro da gente, o segredo é evitar que alguns sentimentos nos paralisem.

Veja alguns dos principais sinais da síndrome do impostor:

Sentimento de não pertencimento - Muitas vezes, as pessoas que sofrem com a síndrome do impostor podem pensar que não merecem estar onde estão. Quando isso ocorre, é comum que haja um sentimento de não pertencimento aos locais que, como consequência, leva as pessoas a se afastar dos grupos.

Procrastinação - Outro sintoma presente na vida de quem sofre com esse problema é a procrastinação. Nesse caso, no entanto, ela vem a partir de uma insegurança sobre as tarefas a executar. É preciso ter certeza sobre a origem da procrastinação para saber se ela está associada à síndrome do impostor.

Autossabotagem - Pessoas que convivem com a síndrome também podem apresentar quadros de autossabotagem. Ou seja: elas criam mecanismos para fugir de certas experiências em que não se sentem seguras para desempenhar um bom papel. Por isso, costumam perder boas oportunidades e acabam se arrependendo muito regularmente.

Autodepreciação - Se você costuma falar mal de si mesmo com muita frequência, fique atento ou atenta: isso também é um sinal importante. Aliás, pessoas com a síndrome tendem a gostar menos de suas qualidades e características, tornando-se amarguradas e tóxicas consigo mesmas.

Ingratidão - Por não aceitarem que são boas em algo, as pessoas nessa condição acabam tendo muita dificuldade para aceitar que os outros encontrem boas características nelas. Assim, acabam rechaçando elogios e contrapondo as pessoas o tempo todo. Torna-se mais difícil, então, apreciar qualquer tipo de reconhecimento recebido.

Autocrítica excessiva - É válido que as pessoas façam análises críticas sobre suas ações. No caso de quem convive com a síndrome do impostor, porém, isso se torna completamente excessivo e as avaliações perdem contato com a realidades. É como se as pessoas perdem a capacidade de encontrar boas lições de erros e se punissem o tempo todo.

Comparação - Finalmente, chegamos ao principal sinal da síndrome do impostor: a comparação. Aqui, é quase regra que os indivíduos só consigam encontrar boas características nos outros e nunca em si próprios. Isso, sem dúvidas, os coloca numa corrida sem fim em direção a um ideal de perfeição que não condiz com a realidade de ninguém. Basta que uma análise seja feita para que essas pessoas comecem a relacionar pontos de sua vida com os de outras.

Se para a carreira profissional, a síndrome do impostor pode ser um obstáculo traiçoeiro, para o empreendedorismo, pode ser até fatal. Ela pode também engolir toda a beleza e aprendizado do ato de empreender ou de tirar projetos do papel - um momento que costuma ser tão importante na nossa vida pessoal e profissional. O medo é sempre natural nessas horas, mas ele não pode nos dominar. É fundamental encontrar formas de lidar com ele - ou, então, de aprender a administrá-lo, caso insista em não ir embora.

Não se deixe limitar. Confie em você. Acredite no seu potencial.

Fontes dos dados citados

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